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agosto 29, 2008

perdido

Ícaro

Minhas asas humanas de poeta
Derreteu-as o sol da lucidez

Cego, abria-as ao vento da inspiração e voava

Mas pouco-a-pouco como quem desperta
Dei conta da cegueira
e fui perdendo altura

Agora canto apenas ao rés-do-chão da vida
A olhar o descampado do céu azul
Aberto à graça de outras emoções

E o canto é triste, assim desiludido
Falta-lhe a perspectiva e o sentido
Que tinha quando eu tinha as ilusões

Miguel Torga

Publicado por inquilino às agosto 29, 2008 04:05 PM

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