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dezembro 18, 2007

Soneto de separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinicius de Moraes

Publicado por inquilino às dezembro 18, 2007 02:53 AM

Comentários

Pouco a pouco, o passo faz-se vagabundo..
Dá-se a volta ao medo! Dá-se a volta ao mundo!
Diz-se do passado que está moribundo..

E é então, que amigos nos oferecem leito..
Entra-se cansado e sai-se refeito!
Luta-se por tudo o que se leva a peito!
Bebe-se come-se e alguém nos diz bom proveito!!

Enfim, duma escolha faz-se um desafio!
Enfrenta-se a vida de fio a pavio!
Navega-se, sem mar, sem vela ou navio..

E, entretanto, o tempo fez cinza da brasa..
E outra maré cheia virá da maré vaza!!!
Nasce um novo dia, e no braço, outra asa!!

O primeiro dia - Sérgio Godinho

Publicado por: taxa em dezembro 18, 2007 11:00 AM

espero que também seja de repente que o pranto se transforme, novamente, em riso...

Publicado por: cumulosecirros em fevereiro 4, 2008 08:14 PM

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