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janeiro 19, 2006

Idade

Ela levou-me e deixou-me menos que nada, como se prometesse mais sem dizer se sabia, e eu não soube saborear o momento, mesmo desfeito em horrores de amor desinspirado, pobre em tudo para lhe dar. Não vejo os desgostos que se pedem ao futuro, não os quero ver, não quero saber (para quê?) o destino. Amar é sempre na rua, ou em casa dos outros.

Ouviste-me chorar? Não deves ter ouvido porque não chorei para fora, não te mostrei o que me fazias, não te pedi que me amasses, mesmo assim não sei se acreditas na pureza dos dias inteiros que te dedico e não posso condensar nos dez minutos em que escrevo estas linhas, nem em horas que passasse a falar contigo. Assim não te quero.

Parte-se-me a alma quando escrevo coisas assim, porque soam sempre a desespero as minhas ideias de esperança num futuro qualquer, para quem reservo eu estas mágoas todas condensadas numa vida incerta e sem razão de ser ?

Os 27 são mesmo a idade do suicídio...

Publicado por inquilino às janeiro 19, 2006 07:45 PM

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