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novembro 24, 2004

O poeta ...

É um fingidor ...
Mesmo sem fingir completamente, mesmo sentindo deveras a dor...

(de burro ?)

ARGH! O Inquilino revela-se, cai a casa e o sangue corre nas ruas ...
(Nada de tão dramático, só uma tendência natural para exagerar)
(e agora ... o momento poético ... stuffed bears don't get hurt ...)


AH, UM SONETO ... Álvaro de Campos

Meu coração é um almirante louco
que abandonou a profissão do mar
e que a vai relembrando pouco a pouco
em casa a passear, a passear ...

No movimento (eu mesmo me desloco
nesta cadeira, só de o imaginar)
o mar abandonado fica em foco
nos músculos cansados de parar.

Há saudades nas pernas e nos braços.
Há saudades no cérebro por fora.
Há grandes raivas feitas de cansaços.

Mas - esta é boa! - era do coração
que eu falava ... e onde diabo estou eu agora
com almirante em vez de sensação?

Publicado por inquilino às novembro 24, 2004 03:10 PM