novembro 13, 2009

aconteceu ...

Aconteceu
Eu não estava à tua espera
E tu não me procuravas
Nem sabias quem eu era
Eu estava ali só porque tinha que estar
E tu chegaste porque tinhas que chegar
Olhei para ti
O mundo inteiro parou
Nesse instante a minha vida
A minha vida mudou
Tudo era para ser eterno
E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos?
O que foi que aconteceu?
Tudo era para ser eterno
E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos, meu amor?
O que foi que aconteceu?
Aconteceu
Chama-lhe sorte ou azar
Eu não estava à tua espera
E tu voltaste a passar
Nunca senti bater o meu coração
Como senti ao sentir a tua mão
Na tua boca o tempo voltou atrás
E se fui louca
Essa loucura
Essa loucura foi paz
Tudo era para ser eterno
E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos?
O que foi que aconteceu?
Tudo era para ser eterno
E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos, meu amor?
O que foi que aconteceu?


O que foi que aconteceu - Ana Moura - Letra/Música: Tozé Brito

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novembro 02, 2009

... cicatriz ?

foi como entrar
foi como arder
para ti nem foi viver
foi mudar o mundo
sem pensar em mim
mas o tempo até passou
e és o que ele me ensinou
uma chaga pra lembrar
que ha um fim

diz sem querer poupar meu corpo
eu ja nao sei quem te abracou
diz que eu nao senti
teu corpo sobre o meu
quando eu cair,
eu espero ao menos
que olhes para tras
diz que nao te afastas
de algo que é também teu
nao vai haver um novo amor
tao capaz e tao maior
para mim sera melhor assim
ve como eu quero
eu vou tentar
sem matar o nosso amor
nao achar que o mundo é feito para nós

foi como entrar
foi como arder
para ti nem foi viver
foi mudar o mundo sem pensar em mim
mas o tempo até passou
e és o que ele me ensinou
uma chaga pra lembrar que ha um fim

Chaga - Ornatos Violeta

Publicado por inquilino às 03:19 PM | Comentários (0)

outubro 14, 2009

Credo

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.

Natália Correia

Publicado por inquilino às 04:28 AM | Comentários (1)

outubro 02, 2009

Weee...

Les filles, les garçons
A tourner se hasardent,
En tournant se regardent,
On connaît ces façons
Des filles et des garçons.

La mi-été de Taveyanne - Juste Olivier

Publicado por inquilino às 04:13 AM | Comentários (0)

setembro 21, 2009

Cry wolf

There was a blank sheet covering your face as you mourned serenity through tears (of joy)
I was (as usual) sitting on my corner wishing for you (all the best)
Never have I seen red for so many hours, despairing over a constant beacon, a moving circle (a big dilemma)

It shouldn't have bothered me when you left, holding someone's hand (but it did)
I could feel drops of blood (or was it sweat) running down my arms (and face)

(feel me now)

Publicado por inquilino às 08:39 PM | Comentários (0)

setembro 11, 2009

Tuga Power!

Movimento Perpétuo Associativo


Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!

-Agora não, que é hora do almoço...
-Agora não, que é hora do jantar...
-Agora não, que eu acho que não posso...
-Amanhã vou trabalhar...

Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos de vencer!

-Agora não, que me dói a barriga...
-Agora não, dizem que vai chover...
-Agora não, que joga o Benfica...
e eu tenho mais que fazer...

Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, e é esta a direcção!

-Agora não, que falta um impresso...
-Agora não, que o meu pai não quer...
-Agora não, que há engarrafamentos...
-Vão sem mim, que eu vou lá ter...

Deolinda

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setembro 10, 2009

Videovalse

Publicado por inquilino às 04:10 AM | Comentários (0)

Paroles ...

C'était Bien (Le P'tit Bal Perdu)

C'était tout juste après la guerre,
Dans un petit bal qu'avait souffert.
Sur une piste de misère,
Y'en avait deux, à découvert.
Parmi les gravats ils dansaient
Dans ce petit bal qui s'appelait...
Qui s'appelait... qui s'appelait... qui s'appelait...

Non je ne me souviens plus du nom du bal perdu.
Ce dont je me souviens ce sont ces amoureux
Qui ne regardait rien autour d'eux.
Y avait tant d'insouciance
Dans leurs gestes émus,
Alors quelle importance
Le nom du bal perdu ?
Non je ne me souviens plus du nom du bal perdu.
Ce dont je me souviens c'est qu'ils étaient heureux
Les yeux au fond des yeux.
Et c'était bien... Et c'était bien...

Ils buvaient dans le même verre,
Toujours sans se quitter des yeux.
Ils faisaient la même prière,
D'être toujours, toujours heureux.
Parmi les gravats ils souriaient
Dans ce petit bal qui s'appelait...
Qui s'appelait... qui s'appelait... qui s'appelait...

Et puis quand l'accordéoniste
S'est arrêté, ils sont partis.
Le soir tombait dessus la piste,
Sur les gravats et sur ma vie.
Il était redevenu tout triste
Ce petit bal qui s'appelait,
Qui s'appelait... qui s'appelait... qui s'appelait...

Non je ne me souviens plus du nom du bal perdu.
Ce dont je me souviens ce sont ces amoureux
Qui ne regardait rien autour d'eux.
Y avait tant de lumière,
Avec eux dans la rue,
Alors la belle affaire
Le nom du bal perdu.
Non je ne me souviens plus du nom du bal perdu.
Ce dont je me souviens c'est qu'on était heureux
Les yeux au fond des yeux.
Et c'était bien... Et c'était bien.

Publicado por inquilino às 03:56 AM | Comentários (0)

setembro 09, 2009

curvo?

As cinco letras em vidro

É um estilete de luz
a imensidade de que és feita
e contorna um azul-sonho-neve
igual aos cabelos que descobri a saírem da tua boca
- dos teus olhos de imaginação
- dos teus lábios curvos de aurora.

Saímos
enquanto as pessoas olhavam admiradas o Arco do Triunfo
deixando escorrer dos bolsos fitas e serpentinas
para tudo se passar como no pássaro
para deixar objectivamente escrito
nas margens do rio
do Mar
- o continente submerso
- o navio de todos os amantes
por onde rola a carruagem em que viajamos
pintada de Liberdade e de Poesia
contigo a dormir sobre o meu peito.

POR ISSO EU SENTI SER FÁCIL O SUICÍDIO
FÁCIL E POSSÍVEL.

Fixou-se no muro da tua residência
sobre a porta que se abre ao visitante
um símbolo mágico e de cabala
- a oportunidade do meu regresso
- a história maravilhosa que te direi na viagem.

Procurei
nas folhas espalhadas pelo nosso leito
a recordação do que há-de vir
- apenas no esparso
- no diverso
- no acto simultâneo de defesa
- no viajar de aeróstato incógnito de distância
- na noite mágica

NA PRIMEIRA GRANDE NOITE MÁGICA QUE NÓS
TIVEMOS.

Abriu-se a janela que caminhava sozinha
e saiu um sonho simples de criança:

O METEORO DA TRANSFORMAÇÃO

pousado a um canto o meu Jogo de Cabala

(um montinho de quadrados,
de círculos, de triângulos,
dispostos geometricamente
sobre um tabuleiro grande)

o meu Tratado de Magia Humana

(um caminho de ogivas, um
relógio a dar horas sobre
um túmulo em pé, os postes
magnéticos, os cordões da angústia)

FALO - no Laboratório Mágico ao dar-se a aparição espon-
tânea de Lautréamont e Freud que traziam sobre as
sobrancelhas um corte fino a atravessá-Ias lado a
lado: -
Ao aparecer a mulher escandalosamente
vestida de vermelho
ele dirige-se para a jovem
e os outros passeiam sobre as rochas
onde fica oculto o corpo do homem que chega continuamente
MUDO APONTA O HORIZONTE.

(In A Intervenção Surrealista)

ANTÓNIO MARIA LISBOA

Publicado por inquilino às 11:31 PM | Comentários (0)

setembro 04, 2009

Quadrado!

Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!

Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Ai, Eu quero chegar antes
Prá sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus...

Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Nos meninos que têm fome...

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm
Para quê?
As crianças correm
Para onde?
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo
Me mostro
Eu canto para quem?

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado...

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado...

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

Adriana Calcanhotto - Esquadros

Publicado por inquilino às 02:08 PM | Comentários (0)

agosto 13, 2009

sem letra?

Lembro-me de ti quando ainda era um sonho,
Voar, chorar, triste, risonho.
Percorrer estradas, perder de vista,
Vida incerta, palhaço artista.
Luzes, cem palcos, adormecer...
Olhar para as crianças, senti-las crescer,
Dançar na noite, dia a nascer...
Poesias, chamas, podes crer!
Destino sem rumo, incertezas,
O futuro na chama das almas acesas,
Abraça-me, ri-te, dança comigo...
Qual é o segredo de perder um amigo?
Vozes do silêncio, olhar abandonado,
Tocar e sorrir, baile e afado,
Lembro-me de nós crianças...
Fantasias, divagámos Andanças!

Pés... descalços no pó, alucinados,
Encontros do umbigo apaixonados,
Mazurkas no fogo, contradanças,
Camponesas, falinhas mansas...
Tocas-me na alma, manifesto da verdade,
A vida é uma revolta, realidade!
Olha o silêncio a brilhar,
Segreda-me no ouvido que o Mundo não quer acabar...

Mazurkas... que te cegam o fundo do coração,
Gigante segredo da tradição,
Procuro no teu ventre inspiração,
Portas, suspiros, abrigos, traição...
Este é o momento que te vou deixar,
Mundos, caminhos por partilhar,
Saudade, lágrimas de coragem.
Festa é festa, amigos boa viagem!
Tocar no baile e ver o mundo a dançar,
Suavidade, dança sem saltar,
Trocar sorrisos de baixo pra cima...

Fim do Mundo, cego e mudo...
... mãos cheias de nada, Alma cheia de tudo!

Uxu Kalhus - Mazurka 13

Publicado por inquilino às 10:02 PM | Comentários (0)

julho 28, 2009

Palindrome

There should be an answer in my mother tongue
To an old glorified problem no one ever solved
Unininspiration should prevent me from going this far


I, bold and sweaty palms would destroy my own dawn
As such, there would be no awakening or death
Exaggeration should entice the beast in my soul

Shape is content, wrapped in absurdity, must go on!

Publicado por inquilino às 08:33 PM | Comentários (0)

maio 22, 2009

Intérprete

Um dia é só um dia e depois, existe-se, para lá das coisas e coisinhas impressas nos quiosques ou no pó das ondas. Minutos sempre passaram e hão-de passar (ao lado) por todos nós (cegos), é um ciclo (da água).
A selva engole o indivíduo porque ele engole a seiva e cresce com todos os elementos, é impossível desenvolver uma forma de comunicação que torne tolerável a ausência de conteúdo.

Publicado por inquilino às 04:42 AM | Comentários (0)

Redondilha maior, rima pobre

Oh, pobre de quem não tem
A semente de narciso
De quem se ri ao espelho
Nenhum medo de ser velho
Feio, sem dentes, mas riso
Oh, pobre de quem não tem

Depois de me ir embora
Deste mundo, como entrei
Aos berros a espernear
Espero poder deixar
Sem culpa, tudo o que amei
Depois de me ir embora

Quando for grande, ou maior
Quando tiver estilhaçado
A pequenez das grilhetas
Chupado todas as tetas
Serei menos desgraçado
Quando for grande ou maior

Publicado por inquilino às 04:24 AM | Comentários (2)

maio 05, 2009

Impressão

conduzir sem Se adicionar ao elemento
Sopa sem sal, pão sem fermento
Universal é a razão do meu despeito
e só, sem correr nem sair do leito

apraz contar os métodos de impressão
ao senhor tipógrafo da esquina
e usar a palavRa Coração
só porque se ama uma menina

resolve-me a frase, puxa-me a cadeira
acaba de vez com a canseira
de te comunicar por entre dentes a ferida

aberta de saber-me sem título


Publicado por inquilino às 10:17 PM | Comentários (0)